sexta-feira, junho 10, 2005

 
Você bem que parece com as trinta pessoas mais importantes da minha vida, bem que pode ser. Esses dentes assim pra dentro, esse queixo espartano, mas. Tenho vontade de te importunar somente pela tua doçura e pela tua antipatia controversa. É um prazer tácito, coisa insana! Deixa? Es tão ridícula e bonita. Calada feito um bicho, feito uma coruja. A experiência também serve pra nossa genialidade, Rita, deixe disso. (Sorvia o café, e aquele aroma embebia a conversa, dando um ar campestre àquilo tudo. Rita se sentia uma vaca pastando, uma cabra com um cão no encalço). Sabe aquele dia que você veio e falou pela primeira vez, com aquela agudez que te é característica? Rita, querida, você é tão desafinada falando que se não tivessem me dito que cantavas bem, eu nunca suporia, mas.
E você parecia flutuar naquela decadência, dizendo sim para tudo, como se eu fosse algo muito precioso. Você é mesmo muito estúpida, Rita. (E ria, ria com umas notas gravíssimas, exigidas pelo tom de deboche. E sorvia o café feito um coronel. Por pouco não cantava uma polca).



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